Acordei com o corpo inteiro doendo por ter dormido no sofá, mas como é bom deitar nesse negócio que mesmo te deixando todo quebrado, você volta a se deitar nele como se nada tivesse acontecido. Abrindo a geladeira, logo vi que a quantidade não é o que importa, mas sim a qualidade, digo isso pois o meu artigo da linha branca estava lotado de coisas, mas para a ocasião, não me servia de nada, tampouco nenhuma folha daquele delicioso mato que a minha mãe insiste em comprar.
Sorrindo, volto para a sala e ligo a televisão, mas o domingo é sofrível para quem depende desse dispositivo para se divertir, ainda mais, quando não se tem TV por assinatura, ainda mais, quando se tem parabólica, e de 30 canais, 25 são para produtores de leite, vendedoras de "biju" e fanáticos religiosos, o que torna o dedilhar do controle remoto um exercício de plena paciência e pensamento claro de impotência.
Talvez seja por isso que o ser humano está cada vez mais migrando para as redes sociais, pois, porcaria por porcaria, bom mesmo é se sentir sozinho com um monte de gente.
Algumas vezes pensei em fazer um diário, com informações sobre o que eu faço, logicamente no meu dia, mas parei e pensei o quanto seria deprimente para quem lê. Isso se chama consciência, coisa que falta para quem monta a grade de programação da TV brasileira. Por outras vezes, vi por aí, pessoas reclamando de suas vidas, mostrando indignação com seus pares, mostrando insatisfação com suas funções, e na mobilidade do mundo que vivemos, vejo pessoas totalmente imóveis, pode Arnaldo?
Me divirto muito com as minhas besteiras, me divirto muito comigo mesmo, mas não me basto, preciso sempre de alguém, preciso sempre de um barulho que me faça sentir que não estou sozinho, preciso de família, amigos, quem sabe alguém pra chamar de minha (óóóóó), preciso somar, dividir, multiplicar ainda não, subtrair jamais, preciso que me entendam e isso não é difícil, basta olhar na minha cara, basta olhar bem fixamente nos meus olhos pra perceber que as minhas besteiras são as coisas que desenham a minha personalidade, que minha expressão limita raios de ação (meu e seu) e que meu limite é a liberdade que nem existe.
Não, esse não é meu sofá...
É besteira minha...

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